Nutrition News for Africa
August 31, 2006
Um artigo intitulado “Suplementos vitamínicos,
nível sócio-económico e morbilidade como
pressupostos de baixo peso em mulheres tanzanianas infectadas
com HIV” foi publicado no American Journal of Clinical
Nutrition (2005;82:857-65).
Antecedentes:
O baixo peso é um dos pressupostos independentes mais
forte da mortalidade entre adultos infectados com o vírus
HIV e está também relacionado com a progressão
acelerada da doença, resultados adversos durante a
gravidez e um risco mais elevado de transmissão vertical
(mãe para o bebé). Os suplementos vitamínicos
atrasam de forma eficaz a progressão do HIV, melhoram
a contagem das células CD4+ e reduzem a carga viral,
contudo pouco se sabe sobre o seu efeito no baixo peso.
Objectivos:
Este estudo procura conhecer de forma mais precisa os efeitos
dos suplementos vitamínicos no baixo peso assim como
quais os factores de risco do baixo peso, incluindo as características
sócio-demográficas, morbilidade e progressão
imunológica.
Desenho da amostra:
Participaram neste estudo um total de 1,078 mulheres tanzanianas
infectadas com HIV-1, e o estudo decorreu entre Abril de 1995
e Julho de 1997. As mulheres foram acompanhadas até
Agosto de 2003 quando o estudo terminou. Estas mulheres foram
distribuídas por cada 1 dos quarto grupos de tratamento:
vitamina A mais ß-caroteno; multivitaminas (complexos
B, C e E); multivitaminas, vitamin A e ß-carotene-ß,;
e placebo. Todas as mulheres participantes receberam ácido
fólico, ferro e profilaxia contra a malária
durante a gravidez. Medicação antiretroviral
não era disponível no local do estudo no momento
em que este decorreu. Em Setembro de 2000, a vitamina A mais
o suplemento de ß-caroteno foi abandonado com base nas
recomendações do conselho de monitoria de dados
e segurança devido ao seu aparente potencial risco
no aumento da transmissão vertical. Assim, as mulheres
destinadas a receber vitamina A e ß-caroteno com ou
sem multivitaminas receberam apenas placebo ou placebo mais
multivitaminas. Na primeira visita pré-natal, foram
recolhidos dados antropométricos, assim como dados
sócio-económicos e as mulheres participantes
receberam um exame médico completo. Em cada visita
registaram-se o perímetro braquial (PB), o índice
de massa corporal (IMC) e o peso. Os primeiros episódios
de PB<22cm e IMC<18, eram factores primários
para as mulheres serem retiradas do estudo. Factor secundário
para sair do estudo era perda de peso>10% desde o peso
registado no estudo de base, outro factor secundário
adicional foi a incidência de períodos de perda
de peso durante a fase de acompanhamento, classificados de
acordo com a sua duração e gravidade. Períodos
longos de perda de peso foram definidos como aqueles com duração
>4 meses, períodos curtos como aqueles com duração
<4 meses. Períodos de perda de peso foram definidos
como aqueles em que a perda de peso é >1kg/mês
e um período moderado como aquele em que a perda de
peso é <1kg/ mês.
Resultados:
A supplementação com multivitaminas reduziu
significativamente o risco de baixo peso quando medida como
uma descida nos valores do PB e aumentou o número de
células CD4+ em circulação. As multivitaminas
não tiveram um efeito significativo no IMC ou na perda
de peso. Uma associação inversa registou-se
entre o nível académico das mulheres e a perda
de peso, quando medida tanto como PB<22cm ou como IMC<18,
que persistiu após possíveis elementos causadores
de imprecisão terem sido ajustados.
Conclusão:
A suplementação com multivitaminas reduz o risco
de baixo peso. Os autores deste estudo recomendam a suplementação
diária de longa duração de pessoas infectadas
com HIV com as mesmas doses utilizadas neste estudo. Os autores
recomendam um estudo urgente sobre os potenciais benefícios
de doses diárias recomendadas múltiplas de vitaminas
na saúde e na sobrevivência de indivíduos
infectados com HIV. Os autores deste estudo também
recomendam um estudo sobre o potencial benefício das
multivitaminas em mulheres não infectadas e que vão
a consulta pré-natal. A associação entre
o nível educativo das mulheres e o baixo peso sustenta
o argumento de que nos países em desenvolvimento é
importante investir no acesso das raparigas à educação
formal.
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