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Nutrition News for Africa

15 de Fevereiro, 2007

Um artigo intitulado “O papel dos micronutrientes na vida das pessoas infectadas com HIV que recebem tratamento antiretroviral altamente activo” foi publicado por Drain et al, no ‘the American Journal of Clinical Nutrition’ 2007;85:333-45.

As deficiências de micronutrientes são comuns em pessoas cuja infecção pelo vírus HIV está num estado avançado. As deficiências de micronutrientes têm sido associadas com riscos mais elevados de progressão do HIV e de mortalidade. Em 1996 o tratamento antiretroviral altamente activo (HAART) tornou-se o novo padrão para o tratamento do HIV. O regime HAART compreende 3 tipos de medicação contra o HIV. O HAART restaura a função imunológica mas não elimina a perda de peso e a magreza que continuam a ser grandes factores preditivos independentes de mortalidade. Porque as baixas concentrações de micronutrientes são causadas por mecanismos similares e porque várias concentrações de micronutrientes são mais baixas nos pacientes com o sindroma de baixo peso do HIV, as deficiências em pacientes com HIV podem também persistir com o HAART; daí que a pesquisa sobre estas deficiências e sobre o papel da suplementação com micronutrientes de indivíduos infectados com o HIV e que também recebam o HAART, se tenha tornado uma prioridade. Comparando com pessoas seronagativas, os seropositivos possuem baixos níveis de vários micronutrientes no organismo, e normalmente sofrem de deficiências desses mesmos micronutrientes.

Os autores analisaram estudos de observação já publicados e evidências resultantes de testes sobre micronutrientes e o HAART em pessoas com HIV para resumir a literatura existente e sugerir futuras prioridades de pesquisa.

Em resumo, a análise dos estudos de observação revela que alguns mas não todos micronutrientes podem aumentar após o início do tratamento HAART. Alguns dos estudos de intervenção também revelam que certos micronutrientes podem ser benéficos se combinados com o HAART. Nenhum dos estudos ajustou concentrações de micronutrientes por marcadores inflamatórios, que poderiam alterar os níveis de vários micronutrientes no plasma. Os autores avisam contudo que poderão não ter analisado todos os artigos relevantes, que pode existir parcialidade por parte das publicações em favor de resultados significativos e que muitos estudos tiveram as suas limitações, incluindo amostras pequenas.

Com estas limitações em mente, os autores recomendam que futuras pesquisas incluam uma descrição longitudinal das alterações nos níveis de micronutrientes após a iniciação do HAART, com ajustamentos nos casos de marcadores de inflamações agudas. Além disso, uma vez que nenhum teste avaliou o efeito dos suplementos de micronutrientes na progressão clínica da doença ou da mortalidade em pessoas infectadas com HIV e que recebam o tratamento HAART, os autores recomendam também que se realizem em grande escala, ensaios randomizados controlados por placebo em pessoas seropositivas que recebam o HAART. Isto iria ajudar a determinar os efeitos nos resultados clínicos relacionados com o HIV e os efeitos secundários de certas medicações de combate ao HIV.

Os autores concluem que apesar de os suplementos de micronutrientes terem mostrado ser benéficos para os doentes com HIV que não recebem HAART, há poucos dados disponíveis sobre a suplementação de pessoas seropositivas que recebam o tratamento HAART. Os autores recomendam por isso que as pesquisas futuras se concentrem em identificar quais os micronutrientes que possam permanecer em níveis mais baixos após a iniciação do HAART e se a suplementação com esses micronutrientes seria benéfica para pessoas com HIV que recebam o tratamento HAART.