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Research and Publications

Nutrition News for Africa

28 de Fevereiro, 2007

Um artigo intítulado “Prestação de cuidados especiais às crianças em risco nutricional, de um centro de saúde primária da Província do Cabo Ocidental, na África do Sul, foi publicado por Schoeman et al, em ‘Public Health Nutrition’, 2006: 9(8), 1007–1012.

Introdução: A desnutrição está a surgir como uma emergência silenciosa que afecta famílias e comunidades e que contribui com metade do total de 10.8 milhões de mortes anuais de crianças com menos de 5 anos nos países em desenvolvimento. A África do Sul tentou combater este problema através dum Programa Integrado de Nutrição (PIN).O sucesso foi limitado em relação às taxas de baixo peso (peso/idade) e de crianças “baixinhas” (crianças baixas para a idade que têm), que se mantiveram inalteradas por um período superior a 5 anos. O objectivo deste estudo foi o de avaliar o conhecimento e as práticas dos enfermeiros colocados nos cuidados primários de saúde na prestação de cuidados especiais às crianças em risco nutricional para intervenção num centro de cuidados primários de saúde.

Metodologia: Este estudo descritivo transversal seccionado foi realizado num centro de cuidados primários de saúde numa zona peri-urbana, de grupo sócio-económico mais desfavorecido, da região do Cabo Ocidental, na África do Sul. O estudo decorreu entre Novembro de 2001 e Janeiro de 2002. Os participantes foram bebés e crianças dos 0-72 meses de idade (n=134), os seus pais ou encarregados de educação (n=124) e os enfermeiros do centro. Os dados relacionados com os pais ou encarregados de educação foram recolhidos diariamente e os dados relacionados com os enfermeiros foram obtidos no final do estudo. Foram avaliados os conhecimentos e as práticas dos enfermeiros em relação aos protocolos de nutrição através de entrevistas estruturadas e de observação das práticas e métodos de pesagem das crianças e bebés.

Resultados: Os resultados das pesagem feitas pelos pesquisadores foram consistentemente mais elevados do que as dos enfermeiros com excepção de um caso em que aconteceu o contrário. As diferenças deveram-se principalmente às práticas de pesagem, num caso o bebé ou criança era pesada com roupas e sapatos e noutro não, e também devido a diferenças na calibragem das balanças. Do total de crianças 123 (92%), tinha o cartão de saúde (com a curva do peso). Quando se fez a avaliação do preenchimento deste cartão, verificou-se que em 50% dos casos tinha sido registada a data de nascimento, o calendário Vacinal estava completo em 8% dos casos, o peso fora registado em 46% dos casos e apenas em 4% dos casos havia informação sobre as práticas alimentares do bebé ou da criança. As quatro últimas pesagens de cada criança identificada com baixo peso (Peso-Idade) e falta de crescimento (ausência de ganho de peso) foram obtidas dos registos do centro de saúde e transferidos para um gráfico de crescimento semelhante ao gráfico peso-idade do cartão de saúde, e como resultado, um total de 67 (50%) das crianças foram avaliadas como tendo baixo peso ou falta de crescimento.

Discussão: Cinquenta por cento das crianças foram consideradas em risco nutricional; e factores como o desemprego, insegurança alimentar e dependência de pessoas que não são da família para receber apoio financeiro aumentou significativamente o risco de desnutrição. Uma grande limitação dos enfermeiros nas práticas de Controle de Crescimento e Promoção foi a sub-utilização do cartão de saúde com o consequente mau preenchimento da curva de peso, e o não registo de informação importante no cartão. Como resultado, os enfermeiros não detectaram 84-95% dos casos de crianças em risco nutricional elegíveis para intervenções nutricionais recomendadas pelo PIN. Outras falhas no controle de crescimento e promoção relacionaram-se com a má manutenção, calibragem e padronização das balanças, assim como com a inexactidão nas pesagens.

Conclusão: Os autores concluem que na África do Sul, há numerosas falhas na implementação do PIN ao nível dos centros de cuidados primários de saúde. Os erros na escolha das crianças em maior risco nutricional e consequente intervenção por aqueles a quem foi atribuído o papel de implementação do PIN deveu-se à falta de treino dos enfermeiros, falta de supervisão e monitoria do Programa de Nutrição, práticas de controle de crescimento e promoção inconsistentes e à ausência de programas comunitários de nutrição para combater o baixo peso e a insegurança alimentar a longo prazo. Os autores recomendam que os fazedores de políticas procurem urgentemente respostas para estes problemas de forma a garantir intervenção adequada para as crianças em risco nutricional em comunidades semelhantes.