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Nutrition News for Africa

15 de Janeiro, 2007

Um artigo intitulado “O efeito da suplementação com vitamina A no período materno e neonatal e outros factores pós-natais na anemia em bebés do Zimbabué: um estudo prospectivo e randomizado” foi publicado por Miller et al, no ‘the American Journal of Clinical Nutrition’ 2006;84:212-222.

 

Introdução: A anemia é prevalente nos bebés e crianças pequenas dos países em desenvolvimento. A vitamina A é conhecida por desempenhar um papel importante na hematopoesis, e sabe-se hoje que a anemia é uma consequência comum da deficiência de vitamina A. Nos países em desenvolvimento cerca de 20% das mães em período pós-natal sofrem de deficiência de vitamina A e de concentração inadequada de vitamina A no leite materno, e os bebés que são amamentados por mães que são deficientes em vitamina A estão em risco de também eles virem a sofrer de deficiência de vitamina A. Este estudo longitudinal coorte foi feito dentro do Projecto de Vitamina A para as Mães e Bebés do Zimbabué (Zimbabwe Vitamin A for Mothers and Babies Project - ZVITAMBO); este foi um teste clínico aleatório, duplo cego, com grupo de controle e placebo, realizado a pares de mães e bebés, inscritos entre Novembro de 1997 e Janeiro de 2000; o objecitvo era testar a eficácia da suplementação da mãe e do bebé com vitamina A (SVA) imediatamente após o parto e analisar diferentes resultados na saúde da mãe e do bebé. Este estudo explorou a hipótese de que a deficiência de vitamina A fazia parte da etiologia da anemia nestes bebés e de que a SVA (especialmente quando administrada à mãe) melhoraria a concentração de hemoglobina durante a segunda metade do primeiro ano de vida. Numa análise secundária o estudo examinou o efeito de diversos factores na anemia por volta do 1º aniversário de vida, incluindo o rastreio do HIV na mãe e na criança e ainda o sexo do bebé.

Conteúdo e metodologia: Este estudo foi realizado em Harare, Zimbabué, onde a malária não é endémica e onde as infecções por parasitas são raras. Os pares de mães e bebés foram distribuídos aleatoriamente por 1 dos 4 grupos de tratamento: mães e bebés que receberam vitamina A (n=410); mães que receberam vitamina A e bebés que receberam placebo (n=391); mães que receberam placebo e bebés que receberam vitamina A (n=399); e mães e bebés que receberam placebo (n=392). As mães receberam 400 000IU de vitamina A, e os bebés receberam 50 000IU. As cápsulas de placebo aparentavam ser idênticas e continham apenas vitamina E em forma de óleo de base de soja. No estudo de base e a cada visita de acompanhamento as parteiras realizaram entrevistas com a mãe e fizeram colheita de sangue materno e também do bebé e tiraram as medidas antropométricas do bebé. Os valores da hemoglobina foram medidos através de um aparelho chamado HemoCue hemoglobinometer e as concentrações de ferritina no plasma foram medidas através da análise da imunidade da enzima. Informação histórica detalhada da alimentação do bebé foi pedida em cada visita e foi também obtido um historial da morbilidade dos últimos 7 dias. Os níveis de ferro foram avaliados por TBI à nascença e as concentrações de ferritina no plasma aos 6 meses. Reservas esgotadas de ferro foram consideradas as concentrações de ferritina no plasma <12µg/L.

Resultados: Em termos gerais, 46.3% dos bebés foram considerados anémicos (hemoglobina<105g/L). Nem o SVA administrado às mães e aos bebés imediatamente após o parto teve um efeito significativo na concentração de hemoglobina ou na proporção de anemia após o adjustamento consoante o sexo da criança. A análise ao HIV da mãe ou do bebé não modificou a associação entre o SVA e a concentração de hemoglobina ou anemia. A concentração média de hemoglobina foi significativamente mais baixa e a anemia revelou-se mais comum entre os bebés com HIV do que em bebés seronegativos nascidos de mães seronegativas ou de mães com HIV. A TBI à nascença não diferiu significativamente entre os grupos. Os determinantes da anemia nos bebés seronegativos foi serem do sexo masculino, terem baixo TBI à nascença e aos 6 meses níveis de ferritina <12µg/L. Em bebés com HIV, o risco de anemia aumentou nos bebés do sexo masculino, com baixo TBI, morbilidade frequente, infecção com HIV prematura e baixa contagem CD4+ linfócitos à data do ingresso no estudo. Em termos gerais os determinantes mais fortes da concentração de hemoglobina pós-natal e da prevalência de anemia foram a TBI à nascença, a infecção do bebé com HIV, o sexo do bebé, e os seus efeitos pareceram ser cumulativos.

Discussão: Os resultados do estudo confiram que a anemia nos últimos anos da infância é um problema de saúde pública no Zimbabué. A SVA não melhorou significativamente as concentrações de hemoglobina e os autores explicam que isto se deve principalmente à deficiência de ferro e é consistente com outra pesquisa realizada com crianças com deficiência de ferro. A infecção do bebé com HIV aumentou aproximadamente por 6 o risco de anemia. Os autores recomendam a utilização dos resultados deste estudo como guia para a criação de intervenções apropriadas de controlo da anemia dos bebés do Zimbabué, focalizando a melhoria da TBI à nascença, promovendo o aleitamento materno exclusivo nos primeiros meses de vida e examinando intervenções específicas para diminuir a transmissão do HIV de mãe para criança.