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Research and Publications

Nutrition News for Africa

31 de Janeiro, 2007

Um artigo intitulado “Desenvolvimento infantil: factores de risco para os resultados adversos nos países em desenvolvimento” foi publicado por Walker S et al. na ‘the Lancet’ 2007; 369: 145–57.

 

Nos países em desenvolvimento aproximadamente 200 milhões de crianças com menos de 5 anos de idade não estão a tornar uma realidade o seu potencial de desenvolvimento. Este documento analisa os factores de risco biológico e psicológico, que são todos eles sujeitos a modificações, e que podem comprometer o desenvolvimento. A pobreza e o contexto sócio-cultural aumentam a exposição das crianças de tenra idade a riscos biológicos e psicológicos, que por sua vez afectam o seu desenvolvimento devido a alterações que ocorrem na estrutura e funcionamento do cérebro e a alterações comportamentais. Este documento centra a sua atenção nos factores de risco na primeira infância. Esses factores de risco afectam a preparação da criança para a escola e o seu consequente rendimento escolar, uma vez que a capacidade da criança no início da sua vida académica é um componente importante que determinará o seu sucesso escolar.

Foi realizada uma análise inicial do efeito dos factores individuais de risco biológico e psicológico no desenvolvimento. Com base nessa análise foram identificados vários factores de risco que devem ser o principal foco das intervenções.

Os factores de risco biológico para o desenvolvimento da criança incluem categorias como nutrição, doenças infecciosas e exposição ambiental. Dentro da categoria nutrição foi incluíuda a análise da restrição do crescimento intrauterino, desnutrição infantil, deficiência de iodo e de ferro e outros factores nutricionais. Os factores de risco psicosocial foram divididos em duas categorias: factores associados com a relação com os pais, entre eles o estímulo cognitivo ou as oportunidades de aprendizagem para a criança, sensibilidade e capacidade de resposta dos encarregados de educação; e finalmente, factores contextuais de risco, entre eles depressão materna e exposição à violência.

Entre outros factores de risco, são quatro os factores chave a realçar, uma vez que cada um deles afecta pelo menos 20-25% das crianças nos países em desenvolvimento e as evidências quanto aos seus efeitos no desenvolvimento são recolhidas por via de ensaios de controlo randomizado. Os quatro factores de risco são: estímulo cognitivo inadequado, baixa estatura (isto é, crianças com uma baixa altura para a idade que têm), deficiência de ferro e deficiência de iodo. Estes factores todos juntos representam riscos importantes que impedem milhões de crianças de atingir os seu potencial de desenvolvimento, daí que sejam necessárias intervenções urgentes. Outro conjunto de factores de risco são: bebés com baixo peso à nascença e com restrição de crescimento intrauterino, malária, exposição a metais (chumbo e arsénico); sintomas de depressão maternal e violência também afectam grande número de crianças e existem evidências epidemiológicas consistentes que demonstram o seu efeito no desenvolvimento. A sua prevalência varia de país para país; e são necessárias intervenções para a sua resolução, mas a sua prioridade necessita de ser definida em função do contexto de cada país. Um ponto importante que foi levantado foi que muitas vezes os factores de risco co-existem e os seus riscos cumulativos, aos quais muitas crianças são expostas, claramente sugerem a necessidade de intervenções integradas. A implementação e também a avaliação de outras estratégias integradas são uma grande prioridade.

Os autores recomendam que em futuras pesquisas se investigue a importância do tempo, duração e gravidade da exposição e a reversibilidade dos efeitos. Os autores também recomendam que pesquisas no futuro incluam maior reconhecimento de todos os aspectos do desenvolvimento, entre eles os resultados sócio-emocionais. Os autores mencionam que as estratégias de intervenção serão abordadas no documento final desta séria sobre o Desenvolvimento Infantil.